A Rodovia RN-120, que liga a BR-226, em Serra Caiada, à cidade de Santo Antônio, passando por Boa Saúde e Serrinha, se tornou um verdadeiro entrave para o desenvolvimento econômico e a segurança da população local. Com uma extensão de 34,7 km, essa artéria viária essencial para o Agreste Potiguar e Trairi se encontra em estado de completo abandono, sendo considerada a pior estrada do Rio Grande do Norte pelo site contrapontorn.com. A situação precária da via não apenas compromete a mobilidade, mas também reflete a incapacidade técnica e administrativa do governo estadual em realizar manutenções eficazes.
Infraestrutura Deteriorada: O Perigo de Trafegar na RN-120
Não há sequer um trecho maior que cinco metros em área rural sem a presença de buracos. Em alguns momentos, motoristas são obrigados a trafegar pelo acostamento por cerca de um quilômetro para garantir um deslocamento minimamente seguro. No trecho urbano de Boa Saúde, os buracos se misturam a remendos desnivelados, formando um verdadeiro mosaico de desleixo. Por outro lado, Serrinha apresenta um trecho um pouco mais conservado, ainda que longe do ideal.
A ausência de um asfalto de qualidade impacta diretamente 37.377 habitantes das três cidades diretamente atingidas (Boa Saúde: 8.591, Serrinha: 6.609 e Santo Antônio: 22.177). No entanto, os prejuízos se estendem a toda a população do Agreste Potiguar (410.076 habitantes) e do Trairi (141.866 habitantes), uma vez que a RN-120 é uma via essencial para a conexão entre municípios do RN e cidades da Paraíba.
Prejuízos Multissetoriais: Economia, Saúde e Segurança em Risco
A precariedade da RN-120 afeta diretamente três setores fundamentais:
- Economia: Empresas evitam se instalar na região devido aos altos custos de logística e manutenção veicular. O tempo excessivo de deslocamento também desestimula investimentos e reduz a competitividade econômica local.
- Saúde: O transporte de pacientes graves é comprometido, tornando as viagens das ambulâncias do SAMU e hospitais locais ainda mais desafiadoras.
- Segurança: A resposta das forças de segurança a ocorrências é impactada, assim como o transporte de presos e a segurança de veículos de transporte de valores, que precisam buscar rotas alternativas.
Manutenção Ineficaz: O Ciclo do Retrabalho
A região já recebeu serviços de tapa-buracos, mas sem qualquer resolutividade. O uso de materiais inadequados, a falta de fiscalização da qualidade da pavimentação e a ineficiência técnica resultam em manutenções recorrentes, que apenas elevam os gastos públicos sem solucionação definitiva. A ausência de um recapeamento adequado, aliado à inexistência de ajustes na sinalização horizontal e na delimitação dos acostamentos, demonstra a total falta de planejamento da gestão estadual.
Além disso, quando existe fiscalização, os agentes muitas vezes não têm conhecimento técnico para avaliar a qualidade dos insumos utilizados, tornando-se meros espectadores de uma execução ineficaz. Essa ingerência administrativa resulta em prejuízos diretos e indiretos, afetando a infraestrutura da região e penalizando os cidadãos que dependem dessa via para suas atividades diárias.
Solução Exige Transparência e Eficiência
O descaso com a RN-120 é reflexo da negligência do governo estadual, que se mostra incapaz de garantir o mínimo de infraestrutura viária. Uma gestão eficaz exigiria:
- Identificar trechos onde manutenções foram duradouras e estudar boas práticas;
- Realizar fiscalização rigorosa e técnica sobre a qualidade dos materiais empregados;
- Priorizar um recapeamento de longo prazo em vez de soluções paliativas e ineficientes;
- Implementar medidas de segurança viária, como lombadas e sinalizações adequadas.
A RN-120, que deveria ser um vetor de desenvolvimento, transformou-se em um símbolo da incompetência administrativa do Estado. Enquanto não houver uma mudança na gestão e na execução dessas obras, a população continuará pagando o preço da negligência governamental. O “maior queijo suíço do RN” segue atravancando a economia e colocando vidas em risco.